
Meu avô paterno chamava-se Luigi Cammillo Nocciolini e minha avó paterna Assunta Maddalena Maria Bisaccioni.
Ambos eram nascidos na cidade de Arezzo, região da Toscana, meu avô nascido no dia 15 de setembro de 1.861 e minha avó no dia 11 de dezembro de 1.865 e também batizados na mesma paróquia a de S. Michele na cidade de Arezzo. Se casaram no cartório dessa mesma cidade no dia 23 de novembro de 1.893 e como os nomes Cammillo e Maddalena Maria eram nomes de batismo no catolicismo, após o casamento oficial na comuna de Arezzo, meu avô ficou apenas com o nome Luigi Nocciolini e minha avó Assunta Bisaccioni.
Meu avô era filho de Adamo Nocciolini e Orsola Porcellotti e minha avó filha de Antonio Bisaccioni e Giuditta Conti.
No dia 05 de agosto de 1.895 como consta no carimbo do passaporte, vieram para o Brasil como imigrantes e com um filho de 1 ano com o nome Bruno.
Partiram da Itália em um navio com o nome MARANHÃO que saiu de uma região da Ligúria e a data de chegada não se sabe precisamente, mas deram entrada na Hospedaria dos Imigrantes da rua Visconde de Parnaíba, 1.316 bairro do Brás – São Paulo, no dia 7 de setembro de 1.895. “LIVRO DE MATRÍCULA DA HOSPEDARIA DE S.PAULO 51/20 – do acervo documental do CENTRO HISTÓRICO DO IMIGRANTE.
Meus avós tiveram 7 filhos: Bruno (de nacionalidade italiana) e brasileiros com os
nomes de: Antonio, Hugo, Romeu, Luiz, Julia e Olga. (Luiz era meu pai).
Quando meu avô chegou ao Brasil segundo contava minha tia Olga, era para ele
ter ido para o interior do Estado de S.Paulo, talvez para o trabalho na lavoura
como muitos imigrantes que na época também vieram ao Brasil a procura de um
ideal. Tendo meu avô a profissão de sapateiro e também sabia fazer calçados a
mão, deixaram ele ficar aqui na capital que naquela época precisavam muito
dessas profissões como a de muitas outras. Morou muito tempo na antiga Vila
Sarzedas que hoje não existe mais. ( dizem que vai ser um novo fórum no local).
Essa vila , era uma Trav. da rua Conde de Sarzedas próximo a Pça. João Mendes.
A sapataria era uma pequena sala nessa mesma rua quase esquina com a rua Dr.
Tomás de Lima antiga rua Bonita.
Em abril do ano de 1921 minha avó faleceu e o enterro saiu ali da própria Vila
Sarzedas. Meu pai contava que nessa época ele tinha 10 anos e muitas vezes ficava
cuidando da mãe doente. Recordava o enterro da mãe e que o caixão foi levado
em uma carroça funerária puxada por cavalos pretos e com penachos da mesma
cor até o cemitério do Araçá. - Meu avô nunca mais se casou e segundo relatou
meu pai, quando era dia de finados meu avô e os filhos iam até o cemitério, iam
também várias famílias de descendência italiana e passavam o dia lá. Muitos
levavam comida parecia um pic-nic Voltavam no final da tarde.
Trabalhavam juntos no conserto de calçados meu avô e o filho mais velho o
Bruno.
Na Vila Conde de Sarzedas as famílias eram todas muito conhecidas uma das
outras e como meu avô, também existiam muitos italianos que vieram na mesma
época para o Brasil. Me lembro de ouvir eles falarem da família Corazza, Coppola
e também um tal de Bombonatto ou Bombonatti que meu tio Bruno sempre
mencionava e que com certeza foram amigos..
Alí também morava a família Piola e um deles o Julio, casou-se com minha tia
Olga.
Mais tarde meu avô mudou-se Dalí para a travessa dos Estudantes que fica na
rua com o mesmo nome e próximo a Rua Conselheiro Furtado. Alí foi o
casamento de minha mãe e meu pai no dia 16 de janeiro de 1.937. Minha mãe
também filha de italianos, pertencia a família Salerno, sul da Itália. Essa vila
perdeu muitas casas que foram demolidas para construção de uma avenida que vai
para a zona leste.
Após algum tempo meu avô se mudou para a rua da Glória, 135 próximo de um
estúdio fotográfico, a saudosa “FOTO TUCCI” uma casa antiga e pequena
próximo à rua Conde do Pinhal. Ali muitas famílias antigas de São Paulo e dos
bairros Liberdade, Aclimação, Cambuci etc. fizeram fotos de Casamentos,
batizados, primeira comunhão e outros mais. Eu mesmo tenho uma foto que foi
tirada no Tucci no dia em que fui batizado na igreja de S, Joaquim no Cambuci.
Meus padrinhos eram também descendentes de italianos o Sr Raphael Corona e
Anna Maximino..
Termino aqui este relato familiar mas tenho gravado em minha mente muitas
reminiscência que lembro ter acontecido durante todos estes anos em que se
passaram e se houver oportunidade, espero relatar em outra ocasião.
Atenciosamente,
Ernani Nocciolini,
São Paulo SP. - Brasil
Dando continuidade e novos fatos que vieram na lembrança.
- Meu avô paterno Luigi Nocciolini morou também na rua Silveira da Mota no bairro do Cambuci próximo a rua Luiz Gama.
Dizia um de meus primos o Antonio Nocciolini Filho o Antoninho, que o local era de muitas enchentes e que ele e uma de nossas tias a Olga, para que meu avô e o filho dele o Brunno não atravesassem nas águas da enchente quando iam ou voltavam do trabalho então tia e sobrinho colocavam várias cadeiras para que eles passassem sem molhar os sapatos e as calças. Ambos, pai e filho tinham uma oficina de conserto de calçados na rua Conde de Sarzedas um pouco mais abaixo onde existe o famoso castelinho.
- No início já mencionei que meu avô residiu na rua da Glória, 135. Nesse endereço ele morava com uma de suas filhas a Julia casada com Euclydes Bacchiega e que possuiam um casal de filhos a Yolanda e o Gregório. Em companhia de meu avô também morava nesse mesmo endereço o filho dele mais velho, solteiro e também de nacionalidade italiano da cidade de Arezzo o Brunno.
- Essa casa da rua da Glória era muito antiga e nos compartimentos da frente morava também uma senhora engomadeira a dona Debora e o senhor João.
- Havia uma sala na frente dando para a rua e ali ela engomava as camisas dos fregueses. Nos compartimentos dos fundos moravam meus tios primos e avô.
- Dali da rua da Gloria meus tios resolveram se mudar e meu avô e tio Brunno também foram com eles. Alugaram uma casa no bairro da Casa Verde e que ficava na Estrada da Casa Verde número 2.259. (hoje é avenida casa verde). A estrada era toda de terra e lá de cima dava para se ver o Campo de Marte e os aviões pousarem. Proximo desse local havia um clube o Ax de Ouro. Isto lá pelos anos de 44 mais ou menos. Quando se descia do bonde e para chegar nesse endereço, tinha que subir um morro sem calçamento e cheio de curvas e chamavam de Morro do "S".
- Meu avô nessa época já devia estar nos 84 anos e segundo o que ouvia contar era que ele tinha um costume de após o almoço ir quase sempre na casa dos familiares do Euclydes seu genro a fim de um bate papo.
- Acontece que numa dessas suas saídas talvez até na própria estrada da Casa Verde, ele sofreu um serio atropelamento e houve fraturas inclusive a coluna foi fraturada deixando-o impossibilitado de andar.
- Quem cuidava dele após seu restabelecimento de vários dias internado na Santa Casa de São Paulo era sua filha a Julia, mas por infelicidade esta veio ficar gravemente enferma com problemas renais nos inícios de 1947 e devido uma uremia foi internada no Hospital Samaritano na rua Conselheiro Brotero, mas no dia 31 de março ela faleceu.
- Devido tal fatalidade meu avô foi morar com uma outra filha no bairro da Penha na rua Betari 340 a Olga e o marido Romano Julio Piola que tinham os filhos Neide e Roberto.
- Alí meu avô ficou até os fins de seus dias até falecer em 28 de março de 1.950.
Ernani Nocciolini, 18 janeiro, 2.024
UM PEQUENO HISTÓRICO SOBRE ASSUNTA BISACCIONI ESPOSA DE LUIGI NOCCIOLINI. (AVÓS PATERNOS DE ERNANI NOCCIOLINI)
ASSUNTA BISACCIONI ERA FILHA DE ANTONIO BISACCIONI E GIUDITTA CONTI,
ANTONIO BISACCIONI meu bisavô paterno nasceu em 1830 e faleceu em 1870. -
De acordo com o que aparece no familysearch o Antonio Bisaccioni casou em primeiras núpcias com Luisa Vanni ou Vangoni nascida em 1832 e falecida em 1857 - G7P7 LSS e tiveram 1 (um) filho Domenico ou Domenica nascida 1856 faleceu 1857 justamente o ano que também morreu sua mãe a Luisa Vani ou Vangoni deixando o Antonio Bisaccioni viuvo. -G7P7 -BZQ
De acordo com dados do family, Antonio Bisaccioni casou a segunda vez em 10 junho 1.858 em Arezzo-Arezzo, Toscana Itália S.Eugenia al Bagnoro com a minha bisavó paterna GIUDITTA CONTI.
Tiveram a primeira filha Luisa Bisaccioni 1.859 e faleceu 1.863 -G7GQ -KZL - Tiveram a 2a. filha Luisa Maria Bisaccioni e faleceu em 1.864 - G7GQ - 5RZ. - A 3a. terceira filha foi a (minha avó paterna) ASSUNTA MADDALENA MARIA BISACCIONI, nasc. em 11 de dezembro de 1.865
( acredita-se que logo após o nascimento da Assunta Maddalena Maria a mãe Giuddita Conti morreu e 5 anos após o pai também faleceu) e assim ela foi criada por outros familiares. - De acordo as datas a Assunta tinha 5 anos quando ficou orfã de pai e mãe.
Minha avó Assunta veio falecer no Brasil em 22 de abril de 1921 já casada com meu avô Luigi Cammilo Nocciolini ou Luigi Nocciolini. LDXV -MSY. - faleceu com 55 anos deixando o meu avô viuvo e com 7 filhos. - Brunno 26 anos, Antonio 23, Hugo 21, Julia 17, Romeu 14, Luiz, 10 e Olga 9
Nota para lembrar: Não se tem informações sobre a data do falecimento da Giuditta Conti, mas acredita-se que logo após o nascimento da filha Assunta Maddalena Maria ela veio a falecer, ficando o Antonio Bisaccioni viuvo novamente e que 5 anos após ter enviuvado também faleceu deixando a filha Assunta Maddalena Maria orfã de pai e mãe. Por isso é que meu pai Luiz Nocciolini e os irmãos dele sempre diziam que a mãe deles ficou orfã muito pequena e que ela havia sido criada pelas tias.
Talvez essas tias sejam umas tais de Cecilia Collanzi ou Carranzi e a outra Teresa Collanzi ou Carranzi .
Estes eram os nomes que meu avô mencionava quando ia ao cartório do bairro Liberdade sp. registrar os filhos e dava o nome dessas duas senhoras como a mãe da Assunta Maddalena Maria. Talvez nem o meu avô Luigi Cammilo Nocciolini sabia que o nome verdadeiro da mãe de sua esposa era a Giuditta Conti e porisso dava o nome dessas duas senhoras que mencionei acima, como avó materna dos filhos que iam nascendo.